#011 Caos e processo

Designer e Product Manager transformando caos em ordem através de processo e disciplina.

O que a primeira temporada de The Bear me clarificou sobre processo, organização, qualidade e obsessão.

Assisti a primeira temporada de The Bear muito antes de começar o projeto de estruturação de processos que estou tocando hoje. Não foi ela que me ensinou a importância do processo, isso eu já vivia. Mas foi só durante o projeto que aquela temporada ganhou outro sentido: ela ilustra exatamente o padrão que aparece em quem trabalha pra transformar caos em processo.

Pra quem não assistiu: basicamente a série mostra uma cozinha em caos completo que, aos poucos, foi virando uma cozinha com processo, brigada, hierarquia, disciplina. No começo é tudo improviso e gente gritando durante o "serviço" inteiro (como chamam, na cozinha, o período de atendimento). Depois, cada estação passou a ter seu lugar, sua função, sua régua de qualidade. E é só com essa estrutura que a cozinha conseguiu, finalmente, produzir com consistência. Não por sorte, mas porque existe processo segurando o resultado. Fonte: Vida de Programador

Foi observando isso que entendi algo que hoje considero óbvio, mas que eu não tinha parado pra nomear: processo e organização não são só o básico, o ponto de partida de qualquer trabalho. Eles são também o que existe de mais avançado, porque são eles que sustentam a qualidade quando o dia está caótico e não dá tempo de fazer tudo com calma. Mas não é só isso: processo também cria rastreabilidade. Registra decisão, guarda contexto, permite que qualquer pessoa entenda, meses depois, por que algo foi feito daquele jeito. Não é só sobre segurar a qualidade num dia ruim, é sobre construir memória, um caminho que outras pessoas conseguem seguir sem precisar reinventar tudo de novo.

Tem também o lado da obsessão, que a série retrata sem romantizar: a mesma dedicação que faz alguém buscar excelência pode virar um peso, se ninguém souber onde parar. É fácil confundir "fazer bem feito" com "nunca estar satisfeito". Fonte: The Developer's Life

Reconheci esse padrão numa designer e em um product manager que vivem essa obsessão lado a lado. Não é que os dois amem o caos, é que amam organizar. É a desordem que dá pra eles o que organizar. É assim que a cabeça dos dois funciona: identifica um processo sem dono, um fluxo sem estrutura, e já quer desenhar o caminho pra resolver aquilo.

Enquanto tudo está mais ou menos funcionando, ninguém sente urgência de estruturar nada. É só quando quebra que fica óbvio o que precisa de organização e processo, e é aí que essa dupla se anima de verdade.

No fim, talvez The Bear só tenha colocado nome no que eu já sabia, qualquer time (de restaurante, de projeto, do que for) só cresce de verdade quando tem processo, organização e disciplina segurando o trabalho por trás. Não é o esforço nem a obsessão que sustentam o crescimento sozinhos. É o processo que garante que o esforço e a obsessão virem memória, em vez de se perderem no meio do caminho.

Nota: The Bear é uma série muito mais rica e complexa do que o recorte que fiz aqui, ela fala de família, saúde mental, luto, relações. Vale assistir por tudo que ela é, não só pelo paralelo que tracei neste texto.

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