#012 Entre a onipotência e a impotência
Se você soubesse tudo o que sabe hoje sobre sua profissão, mesmo assim escolheria começar tudo outra vez?
Muito além de certificações
Quem olha para o gerente de projetos?
Fonte: The Developer's Life Entre a onipotência e a impotência
Fonte: The Developer's Life
Já falei sobre esse equilíbrio em #005 O Gerente de projetos, suas limitações e limites.
A missão não é de uma pessoa só
Em O Método Switch, Elaine Fox descreve uma operação de resgate em uma zona de conflito. A equipe está dentro de um helicóptero, conferindo equipamentos e procedimentos antes de entrar em uma área de risco. A aeronave se aproxima do solo, os integrantes saltam e o helicóptero deixa o local rapidamente. A partir dali, é avançar no escuro, sob pressão, procurando pessoas feridas em um cenário que muda a cada minuto.
O ponto que interessa aqui está no que acontece depois. Cada integrante tem um papel importante na missão, e todos cuidam de todos. Não existe um plano fechado que se cumpre do início ao fim: é a situação do momento que define o próximo passo. Como o ambiente é hostil e adverso, essas mudanças são frequentes, e a liderança acompanha esse movimento. Quem começou liderando nem sempre é quem conduz a etapa seguinte.
Agora troque o helicóptero pela sala de kickoff. O projeto também começa com todos conferindo o plano, o escopo e o cronograma. E, em algum momento, todos saltam: o go-live se aproxima, o fornecedor atrasa, o cliente muda a prioridade, e o plano que parecia sólido passa a ser só o ponto de partida.
Nesse cenário, o gerente de projetos é sempre a pessoa mais adequada para conduzir cada etapa? Na integração, talvez seja o arquiteto. Na crise com o cliente, talvez seja quem tem a relação mais próxima com ele. Na decisão técnica, talvez seja quem está com a mão na configuração da plataforma.
Isso não diminui o papel do gerente. Mas exige uma equipe que saiba ouvir outra pessoa, confiar em quem assume e agir sem esperar autorização para cada decisão. E exige um gerente disposto a abrir mão do protagonismo quando a missão pede.
Uma equipe pode reunir excelentes profissionais e, ainda assim, não saber trabalhar como equipe. Saber qual é a sua parte é diferente de entender qual é o seu papel na missão. A parte termina na sua entrega. O papel inclui olhar para quem está ao lado.
Essa ideia de equipe como um sistema em que cada parte depende da outra também aparece em #004 Projeto e Ecossistema.
A maturidade não está só em seguir um líder, está em reconhecer quando outra pessoa precisa assumir.
Medidos pelo resultado
Nos dias atuais, a forma como os profissionais são medidos também pode interferir no seu trabalho, já que as avaliações focam apenas no sucesso, e não na execução e na forma como o profissional se posiciona diante dos desafios do projeto. Será que um projeto que falhou também é uma falha do gerente de projetos e da equipe?
E se o projeto que falhou estiver apenas mostrando o que já estava lá? O Ricardo Vargas provoca essa reflexão neste episódio:
A frustração de não conseguir atingir as suas expectativas e as expectativas dos projetos também mexe com a sua autoestima e te faz questionar a sua capacidade?
Já escrevi sobre esses dois lados: o de olhar para o que deu errado em #010 Lições aprendidas (Um ato de coragem) e o de duvidar da própria capacidade em #007 Síndrome do Impostor.
Antes de responder
Se a missão não é de uma pessoa só, talvez algumas perguntas mereçam um tempo antes do próximo kickoff.
Na sua equipe, as pessoas conhecem o seu papel na missão ou apenas a sua parte?
Quando o cenário muda, a liderança muda junto ou continua concentrada em quem começou?
Você está preparado para conduzir, mas também para ouvir, confiar e seguir?
Se todos cuidam de todos, quem tem cuidado de você? E você tem permitido que alguém cuide?
Agora, com tudo isso em mente, volte à pergunta do início: se você soubesse tudo o que sabe hoje sobre sua profissão, mesmo assim escolheria começar tudo outra vez?
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